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Points of View #14


Points of View #13


"I feel it harden. I feel him harden. I feel myself getting wet. I wet my finger, run it up the lips of my pussy and imagine it’s his tongue, wetting the wings of my labia, feeling them flutter and spread, circling my clit and flicking it. Blood rushes to my head, to my clit. I feel dizzy.
I feel the head of his cock bouncing against my thigh as he crawls over me, positioning himself above me, poised to enter. And I turn on my side to accommodate him, bending the top leg at the knee, like a dancer doing the Can-Can, to give him a clear view of the runway as his craft comes into land.
He takes his cock in his hands, guides it towards my pussy, towards the hole, where the wetness gathers. 
He pushes into it, just enough to wet the tip. Pulls out and slides the head up the pussy, making me slick with my own juices.
He pushes into me again, just enough to bury the tip. And holds it there. Not in, not out. Just waiting. Teasing.
And my finger probes around the hole, scooping up my juice and spreading it up towards my clit, wetting it, brushing it, feeling it throb.
He pushes into me.
I push a finger into me. And moan.
His cock stretches my hole. And I feel my pussy close around the head.
Two fingers now.
And he slides his length in slowly. Teasing. He slides in all the way until he’s pressing against my pelvis. 
I can feel him hard, pressing against my wall. And he holds it there.
Teasing.
I’m up to the joint now, and moving towards the knuckle, sinking my fingers as deep as they will go. 
My fingers are slick with juice, thick and sticky, and white as snow.
He shifts his weight, rotates his hips slightly, like he’s piloting a ship, inching the wheel around so the rudder shifts. And I can feel his cock move inside me, brushing ever so slightly against the soft fleshy wall.
And suddenly I can feel that I’m about to come. I can feel a surge building up inside me and I can’t stop it. 
I don’t want to. I want to be overwhelmed. I can feel him inside me and I want to come.
I’m going to come.
And as I come, I call out his name. Because I want him to hear, even though he’s not there."

by Sasha Grey in Juliet Society

Points of View #12

Foder amor. Foder-te como à mais puta das putas e amar-te como à mais única das amadas. Foder amor. Chamar-te puta e dizer-te amo-te. Espancar-te o sexo e afagar-te o beijo. O doce e a fera, a treva e o raio. E só assim entre um grito e um afago foder-te com amor. Fazer-te amor.

Pedro Chagas Freitas

Points of View #11

"Um homem jamais pode entender o tipo de solidão que uma mulher experimenta. Um homem se deita sobre o útero da mulher apenas para se fortalecer, ele se nutre desta fusão, se ergue e vai ao mundo, a seu trabalho, a sua batalha, sua arte. Ele não é solitário. Ele é ocupado. A memória de nadar no líquido aminótico lhe dá energia, completude. A mulher pode ser ocupada também, mas ela se sente vazia. Sensualidade para ela não é apenas uma onda de prazer em que ela se banhou, uma carga elétrica de prazer no contato com outra. Quando o homem se deita sobre o útero dela, ela é preenchida, cada ato de amor, ter o homem dentro dela, um ato de nascer e renascer, carregar uma criança e carregar um homem. Toda vez que o homem deita em seu útero se renova no desejo de agir, de ser. Mas para uma mulher, o climax não é o nascimento, mas o momento em que o homem descansa dentro dela."

Anaïs Nin

Points of View #10


"O que é a coquetterie? Pode talvez dizer-se que é um comportamento que deve sugerir que a aproximação sexual é possível, sem que essa eventualidade possa ser tida como certa. Ou, por outras palavras, a coquetterie é uma promessa de coito, mas uma promessa sem garantias.
Tereza encontra-se de pé atrás do balcão do bar e os clientes a quem serve bebidas passam o tempo a meter-se com ela. Ser-lhe-á desagradável essa onda contínua de cumprimentos, de subentendidos, de anedotas pesadas, de convites, de sorrisos e olhares? De forma nenhuma. Sente um desejo incontrolável de oferecer o corpo (aquele corpo estranho que gostaria de expulsar para longe), de oferecê-lo a essa ressaca.
Tomas não se cansa de insistir que, entre o amor e o acto de amor, há todo um universo. Tereza recusava-se a admiti-lo. Agora, está permanentemente rodeada de homens que não lhe inspiram a mínima simpatia. O que sentiria se fosse para a cama com um deles? Tem vontade de experimentar, pelo menos sob essa forma de promessa sem compromisso que é a coquetterie.
Mas, não nos enganemos! Não procura vingar-se de Tomas. Só procura uma saída para o labirinto onde se encontra perdida. Sabe que lhe é pesada: leva as coisas demasiado a sério, leva tudo para o trágico, não consegue compreender a leveza e a alegre futilidade do amor físico. Gostava tanto de aprender a leveza! Gostava tanto que lhe ensinassem a deixar de ser anacrónica.
Se, para outras mulheres, a coquetterie é uma segunda natureza, uma rotina insignificante, para Tereza, daqui em diante ela será o campo de uma importante investigação que deverá fazer-lhe descobrir aquilo de que é capaz. Mas por ser assim tão importante, assim tão grave, a sua coquetterie perdeu toda a leveza, é forçada, expressamente convocada, excessiva. Rompeu-se o equilíbrio entre a promessa e a falta de garantias (no qual reside precisamente o autêntico virtuosismo da coquetterie!). Promete, mas sem a clareza suficiente, para fazer ver que a sua promessa não a compromete a nada. Ou, dito de outra maneira, todos julgam que é uma mulher extraordinariamente fácil. E depois, quando os homens reclamam o pagamento daquilo que pensam que lhes foi prometido, deparam com uma resistência inesperada que só pode encontrar explicação na refinada crueldade de Tereza."

Milan Kundera in "A Insustentável Leveza do Ser."

Points of View #9

- Sinto-te na minha cintura.
- Mas… se não te estou a tocar!
- Quando tocas, sinto. Quando não estás aqui, sinto ainda mais.
- Isso não faz sentido. Não deveria ser ao contrário?
- Os braços são basculantes, consigo mimar a volta do teu corpo. Os dedos são oponíveis, consigo procurar a curva da tua anca. Mas a cintura é direccionada. Quando não estás aqui, procura-te. Quer-te. Torna-se bélica e tenta alcançar-te. É sentido único. É este o sentido.
- Bélica? Mas isto é algum conflito?
- A guerra é a extensão da política quando se acaba a diplomacia. E por vezes há diplomacia a mais na guerra dos géneros.
- Outra vez o conflito…
- Lutar é como fazer sexo. É invadir o espaço de alguém. É a carne contra a carne. E também há libertação de hormonas…
- Alto lá. Parem esse baile. Mas agora estás a falar de sexo?
- Desde o princípio. As conversas mansas já cansam. Os homens acham sempre que as mulheres precisam de amor.
- Pois. Também nunca gostei desses rótulos. Acham que somos pára-raios emocionais e tentam consolar-nos com um Nunca te vou desiludir ou Ficas bem com qualquer roupa ou até o clássico Sou bom ouvinte… As mulheres são para ser vistas e não ouvidas.
- Mas olha que até ficas bem com qualquer trapinho de Domingo de manhã. Excepto fatos de treino. Isso é que não deveria fazer parte de nenhum closet feminino digno desse nome.
- Mau! Afinal não é sentido único, que a tua conversa agora vai ao contrário. Já te disse que não quero psicanálise e positivismo. Mas tens razão quanto aos fatos de treino.
-  Estava exclusivamente a falar sobre roupa. Se fosse sobre ti, teria atirado um cliché qualquer sobre sorrisos.
- Já dizia a música: you’re never fully dressed without a smile. Uma espécie de gato de Cheshire da indumentária. E esse sim, precisava de uma chaise longue e umas horas de conversa a entrar naquela cabeça.
- És, portanto, impecavelmente bem vestida, mas impenetrável.
- Ahhh então isto foi tudo falinha mansa para dizeres que me queres foder?
- Apenas disse que te sinto. Puxas-me pela cintura. Nunca gostei desses rótulos…

Gonçalo Fortes in O Evangelho do Coiote

Points of View #8

"-Não és obrigada a foder mesmo quando tens a tua mãe em casa, pois não? Não podes evitar ao menos isso?
-Não. Tenho de fazer tudo. Foder, chupar. Tudo. Cozinhar. Todas essas substâncias que entram e saem da boca das pessoas. Às vezes é a sensação que dá. Tenho de fazer tudo bem e de cara alegre. Ser um poço de satisfação.
-É difícil dar satisfação a pedido.
-Lá isso é.
-Se calhar o melhor era seres puta, e pronto.
-Oh, acho que não ia ser uma boa puta.
-Serias uma puta maravilhosa.
-Achas que sim? Que tipo de puta seria? Não me vejo a encaixar na ideia geral que as pessoas têm das putas, seja qual for essa ideia, percebes?
-Deves estar a brincar.
-Teria de ser tipo matrona, não achas?
-Ah, estou a ver... para teres clientes daqueles que querem disciplina. O falar fino e o olhar gélido.
-Pois, pessoas que querem que a mestra respeitável lhes mostre como se faz.
-Sim, podias ganhar dinheiro assim.
-Hum. O dinheiro fazia-me jeito. É uma ideia."

Philip Roth em Engano


Points of View #7

"(...) E o meu marido acusa-me de lhe ter dado cabo da vida sexual. "És tão sisuda", diz ele, "contigo é tudo tão sério, tão terrível, não fazes nada com alegria, com prazer, com humor"... e acho que tem razão. Acho que exagera grosseiramente, mas não deixa de ter razão. O sexo não me dá prazer nenhum. É tudo muito solitário e difícil. Mas a vida é mesmo assim, não é?
-Porque é que não tentas vir-te para fazer um favor ao teu marido?
-Porque não quero.
-Faz isso. Descontrai-te e vem-te. Sempre há-de ser melhor do que discutir.
-Fico tão furiosa com ele.
-Não fiques furiosa. É teu marido Está-te a foder. Deixa-o foder.
-Estás a dizer que tenho de me esforçar mais.
-Não. Sim. Faz isso e pronto.
-Essas coisas não se controlam conscientemente.
-Controlam, sim. Basta que sejas puta durante meia hora. Não morres por isso.
-As putas não se vêm. É evidente que não querem.
-Finge que és puta. Não leves a coisa tanto a peito.
-O problema é dele... ele é que leva a coisa muito a peito. É uma daquelas pessoas que pensam que as mulheres deviam ter orgasmos múltiplos e que dois parceiros deviam vir-se sempre ao mesmo tempo. Bem, tudo isto é perfeitamente normal, é isso que acontece com os jovens, porque para eles é muito fácil. Mas a partir do momento em que há um passado e uns quantos ressentimentos acumulados... oh, existe tanta hostilidade entre nós. E porque é que uma pessoa perde definitivamente o interesse sexual por outra?
-Porque é que não me perguntas antes por que razão neva?
-Mas é razão suficiente para o deixar, não é?
-Não é por essa razão que o vais deixar, se é que vais deixá-lo.
-Não, mas, pensando bem, é essa a raíz do problema. Ele não iria suportar o meu desinteresse.

 Philip Roth in Deception

Points of View #6

"No ano de meus noventa anos quis-me dar de presente uma noite de amor louco com uma adolescente virgem. Lembrei de Rosa Cabarcas, a dona de uma casa clandestina que costumava avisar aos seus bons clientes quando tinha alguma novidade disponível. Nunca sucumbi a essa nem a nenhuma de suas muitas tentações obscenas, mas ela não acreditava na pureza de meus princípios. Também a moral é uma questão de tempo, dizia com sorriso maligno, você vai ver."

Gabriel García Márquez in Memórias de Minhas Putas Tristes.

Points of View #5



Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguém antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moínha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.


Miguel Esteves Cardoso in "Último Volume"

Points of view #4

" (...) Desviei-lhe o cabelo e dei-lhe um beijo atrás da orelha. Estava quentinho ali. Ela afastou a cabeça. Quando voltei a beijá-la no mesmo sítio, já não afastou a cabeça. Sentia-a inspirar, e depois soltou um pequeno gemido. Peguei nela e levei-a para a sala, sentando-me numa cadeira com ela ao colo. Não olhava para mim. Beijei-a no pescoço e nas orelhas. Uma mão à volta dos ombros e a outra na zona da cintura. Movimentei a mão que estava na cintura para cima e para baixo, ao ritmo da sua respiração, para que a energia má saísse.
Por fim, com um ligeiríssimo sorriso, olhou para mim. Estiquei-me e mordi-lhe a ponta do queixo.
- Que gaja marada!- disse eu.
Ela riu-se e beijámo-nos; as nossas cabeças avançavam e recuavam. Recomeçou a soluçar.
Eu recuei e disse-lhe:
- PÁRA!
Beijámo-nos outra vez. Então, peguei nela e levei-a para o quarto, deitei-a na cama, tirei rapidamente as calças e as cuecas e os sapatos, puxei-lhe as calças por cima dos sapatos e, com um pé descalço e o outro calçado, dei-lhe a melhor queca dos últimos meses. Os gerânios caíram todos. Quando terminei, fui carinhoso com ela, brincando com os seus longos cabelos, dizendo-lhe coisas. Ela ronronava. Por fim, levantou-se e foi à casa de banho.
Não regressou. Foi para a cozinha e começou a lavra pratos e a cantar.
Por amor de Deus, nem o Steve McQueen teria feito melhor."

Charles Bukowski in "Correios".

Points of view #3

“Será que considero esta inquietação, este desvario, como uma doença - ou como um talento? Como ambos? Pode ser. Ou será que é apenas um meio de fuga? Olhe, pelo menos não me encontro casado, aos trinta e poucos, com uma criatura decente, cujo corpo deixou de ter para mim qualquer interesse genuíno - pelo menos não tenho de ir para cama todas as noites com alguém que vez por outra marreto por obrigação, ao invés de desejo. Quero referir-me à horrenda depressão que algumas pessoas experimentam na hora de ir para a cama...Por outro lado, mesmo eu devo admitir que talvez exista, de uma certa perspectiva, algo um tanto deprimente quanto à minha situação, também. É claro que não posso ter tudo; é o que me parece. A questão, porém, que desejo enfrentar é: tenho eu alguma coisa?” 

Philip Roth in Portnoy's Complaint

Points of View #2


Points of View #1

"A grande partida que nos pregam é que biologicamente nos tornamos íntimos antes de sabermos alguma coisa acerca da outra pessoa. No momento inicial compreendemos tudo: somos atraídos pela aparência um do outro, mas também intuímos a dimensão mais plena. E a atracção não tem de ser equivalente: ela é atraída por uma coisa, nós por outra. É o superficial, é a curiosidade, mas depois, zás!, é o carácter. É agradável que ela seja de Cuba, é agradável que a sua avó tenha sido isto e o seu avô aquilo, é agradável que eu toque piano e tenha um manuscrito de Kafka, mas tudo isso não passa de um desvio para chegarmos onde queremos. Faz parte do encantamento, suponho, mas é a parte que me faria sentir muito melhor se pudesse dispensá-la. O sexo é todo o encantamento necessário. Será que os homens,  uma vez excluído o sexo, continuariam a achar as mulheres assim tão encantadoras? Será que alguém, por ser de outro sexo, poderá achar o outro assim assim tão encantador se não fizer sexo com essa pessoa? Por quem mais nos sentimos encantados? Por ninguém.
Ela pensa: estou a dizer-lhe quem sou. Ele está interessado em quem sou. Isso é verdade, mas se estou curioso a respeito dela é porque quero fodê-la. Não preciso mostrar tanto interesse em Kafka e Velázquez. Enquanto travo esta conversa com ela estou a pensar: quanto tempo mais vou ter de suportar? Três horas? Quatro? Terei mesmo de ir até às oito horas? Vinte minutos a velar e já me pergunto: o que tem isto a ver com as suas mamas, e a sua pele, e o seu porte? A arte francesa de ser galanteador não tem interesse algum para mim. O ímpeto selvagem tem. Não, isto não é sedução. Isto é uma comédia. É a comédia de criar uma ligação que não chega a ser ligação-que não pode sequer competir com a ligação-criada sem artifício pela luxúria. Isto é um convencionalismo instantâneo, é oferecermo-nos de imediato alguma coisa em comum, é tentar transformar a luxúria em algo socialmente apropriado. No entanto, é a impropriedade radical que faz da luxúria a luxúria. Não, isto apenas traça o rumo, não em frente, mas para trás, para o impulso elementar. Não confundir o velar com o que está em causa. É claro que pode desenvolver-se qualquer outra coisa, mas essa qualquer coisa não tem nada que ver com comprar cortinas e edredões de penugem e tornarmo-nos membros da equipa evolutiva. O sistema evolutivo pode funcionar sem mim. Eu quero foder esta rapariga e, sem dúvida, terei de suportar alguma espécie de camuflagem, mas isso é um meio para alcançar um fim. Que parte disso é astúcia? Gostaria de pensar que é tudo."

Philip Roth in O animal Moribundo

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