Foi o teu corpo que disse ao meu para ser tua sempre assim. Foi o teu corpo que me cerceou a vontade e me induziu a querer-te sempre mais. Foi o teu corpo que disse ao meu para me entregar sem temores, para te sentir sem pudores, para me perder de amores. Foi o teu corpo que me abarcou toda, me deixou cega, me impediu de ver mais para além de ti. Foi o teu corpo que me ensinou o prazer, me aprendeu as vontades e me saciou a fome que sentia sem saber. Foi o teu corpo que me apaixonou o olhar, me aprisionou o toque, arrepiando a pele quando te sente o abraço. Foi o teu corpo que me viciou o palato, me turvou a visão, me acorrentou o tacto, me amaldiçoou entoando o cântico malévolo do desejo e da paixão. Foi o teu corpo que fez de mim insaciável, que me fez sentir sempre incompleta, que me pertence para tão só lhe sentir a falta. Foi o teu corpo que disse ao meu, anda, sente como te sinto. Foi o teu corpo que disse ao meu, sê tudo só para mim. Foi o teu corpo que disse ao meu, sê feliz aqui, onde te dou o que tenho, onde quero o que me dás. Foi o teu corpo que disse ao meu, consome-me até à exaustão, deixa-me usar-te. Foi o teu corpo que disse ao meu, entrelaça-te em mim, aninha-te no meu regaço, aceita o meu sorriso. Foi o teu corpo que disse ao meu, fica. Fica sempre, fica em mim.
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Pillow Talk
O toque reconhece-se e deseja-se. O calor de umas mãos, os movimentos cadenciados que sabem precisamente o que fazer e onde nos levar. Aumentam a intensidade com o exponenciar do prazer que sentem na ponta dos dedos. Testam o corpo que têm à sua disposição, testam-lhe a vontade, as reacções. Regozijam face ao subir de tom do desejo, dos gemidos, do serpentear das formas que, excitadas, procuram sentir o arrepio do prazer. Imploram por mais, revelam impotência, submissão, dor que se assemelha a um prazer tão lascivo. Não aguentam mais e fogem-lhe as palavras sussurradas, as palavras que mal consegue articular, as palavras que reflectem o sucumbir da vontade face ao hipnotizante odor do corpo: "Anda, quero-te em mim!"





