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O feminino e o masculino #4
A maior parte dos estudos científicos afirmam que as mulheres se interessam menos do que os homens em ter sexo com diferentes parceiros. O argumento usado, é sempre o mesmo. Ao longo da história os homens que fizeram sexo com muitas mulheres dispersaram indiscriminadamente o seu sémen, transmitindo assim o gosto masculino pela variedade sexual. Por outro lado, como as mulheres só podiam ter um pequeno número de filhos ao longo da vida, e cada relação sexual podia implicar o risco de engravidarem e virem a ser mães, acabaram por ter uma predisposição para a maior seletividade do que os homens. Concordo que as mulheres são, na sua maioria, mais discriminativas do ponto de vista sexual. São mais seletivas. Contudo existe a tendência das mulheres para procurar alguma variedade sexual. Há até algumas explicações biológicas para o facto. Podemos sempre pensar que se os homens têm mais parceiros sexuais do que as mulheres ou há umas quantas mulheres hipersexuais que andam a fazer sexo com uma quantidade enorme de homens, ou os homens estão a exagerar as suas conquistas e as mulheres a exagerar as suas virtudes. Todos nós gostamos de variar, uns mais do que outros, não existindo na variedade sexual um duplo padrão. Penso que, tanto homens como mulheres, não "nasceram" para serem monogâmicos.
Visualmente sexuais
Desmond Morris é um conhecido biólogo que teve a particularidade de analisar os humanos sob um ponto de vista puramente zoológico. Já o referi aqui, no Vício. A sua abordagem gerou muita polémica, não sendo a sua visão atualmente aceite nos meios académicos. Contudo atendendo à linguagem acessível e simples que usa nos seus livros e documentários tornou-se um dos autores mais conectados à "popular science". Confesso que gosto de o ler e de ir revisitando os seus livros, permitem-nos uma outra perspetiva dos humanos e acabamos sempre no fim a interrogar-nos "Será que não é assim!?". Ontem voltei a reler um dos seus livros, em particular um capítulo sobre a utilidade dos lábios numa fêmea. A fêmea humana adulta típica exibe um par de lábios macios e carnudos. Os lábios são um símbolo fortemente sexual. Observando a forma que apresentam, a textura e a cor, os lábios do rosto são iguais aos outros lábios da mulher, os vaginais. Numa fêmea humana sexualmente excitada, os lábios da vagina ficam vermelhos e tumefactos. Ao mesmo tempo, os lábios do rosto também ficam mais inchados, avermelhados e sensíveis. Estas mudanças ocorrem em uníssono e resultam da passagem do sangue dos órgãos interiores para a superfície. As mulheres conscientemente ou não, desde sempre exploraram estas semelhanças e avermelham artificialmente os lábios do rosto. O batom vermelho intenso ou o lip gloss muito vermelho e muito brilhante deixam os lábios com um aspeto suculento e húmido. Torna-se impossível não associar este facto, puramente visível, à mensagem biológica subliminar. Uma excitação sexual intensa provoca secreções genitais e os atuais batons pretendem sugerir ao homem de alguma forma essa alteração fisiológica. Cria-se a ilusão de uns super lábios vaginais. As mulheres, desta forma, exibem para todos e de forma ativa o prazer que sentem com o sexo. Sinalizam e o rosto feminino adquire um enorme impacto erótico, somente devido ao avermelhar dos lábios.
Animalesco...
Durante a corte, a iguana macho bufa para cima, para se mostrar dominadora e importante, e depois ataca a fêmea com agressividade. Estando a fêmea sexualmente recetiva, responde rastejando sobre o ventre, numa posição de clara submissão. A sua passividade convida à cópula. Nas iguanas, como em muitos, outros répteis, os sinais de submissão da fêmea, a par dos gestos de domínio por parte do macho, são essenciais para o coito.
O feminino e o masculino #2
" (....) as mulheres são menos entusiastas do que os homens quanto a participar numa escapadela de uma noite com alguém que seja casado ou esteja envolvido numa relação amorosa. Esse amante não só está indisponível, como os seus recursos estão direcionados para outra parte. E uma vez que ele está a enganar a sua parceira firme, é provável que também a ela fosse infiel. A maioria das mulheres também não depõe as armas por um caso amoroso breve. O que elas continuam a procurar é um parceiro saudável, estável, divertido, amável e generoso. Para as mulheres, o sexo casual nem sempre é tão casual como para os homens.
Quando os homens procuram o amor passageiro, tendem a não dar importância à falta de inteligência de uma mulher. Também escolhem mulheres que sejam menos atléticas, menos educadas, menos feias, menos estáveis, que tenham menos humor, e que se enquadram numa faixa etária mais ampla. E ao contrário das mulheres, podem mesmo sentir-se atraídos por uma mulher que tenha fama de ser promiscua. Como Mãe West tão habilmente o expressou, "Os homens gostam de mulheres que tenham um passado, porque esperam que a história se repita" (...)"
Helen Fisher é uma das minhas autoras favoritas, já a partilhei aqui no início do Vício. Tem estudos interessantes sobre o sexo, a paixão e o amor, que "espalha" há mais de 20 anos pelos diversos livros que publica. Todo o trabalho de investigação dela está direcionado, principalmente nos últimos anos, para tentar perceber porque no meio de tantas pessoas que vamos conhecendo nos apaixonamos por aquela específica. Porque que é que uma pessoa inflama os nossos circuitos cerebrais primitivos enquanto outra perfeitamente adorável nos deixa totalmente indiferentes? Devido talvez à minha formação base, na área das ciências, acho que tudo tem que ter uma explicação perfeitamente racional pois só assim, para mim, faz sentido. Agradam-me ler estudos destes temas e confesso que muito coisa faz sentido para mim. O extrato que escolhi deve originar alguma polémica e por isso mesmo foi escolhido.
O feminino e o masculino #1
Os cérebros dos homens e das mulheres não são iguais. O cérebro do homem é cerca de 9% maior, apresentando contudo igual número de células cerebrais. O que acontece é que nas mulheres estas surgem mais compactadas, apertadas pois o crânio é mais pequeno. Contudo entre os dois cérebros verificam-se impressionantes diferenças quer ao nível estrutural, químico, genético, hormonal e funcional. Homens e mulheres apresentam sensibilidade cerebral diferente a situações de tensão e de conflito. Em média, as mulheres são melhores a expressar emoções e a recordar pormenores de acontecimentos emotivos tais como aqueles pormenores mais ínfimos dos seus primeiros encontros amorosos ou até das discussões mais acesas. Nas mulheres o centro principal da emoção e da formação da memória é maior, o mesmo acontecendo com o circuito adstrito à linguagem e à observação de emoções alheias. Em contraste com isto, os homens têm um volume cerebral maior no que respeita ao apetite sexual e aos centros destinados à ação e agressividade. Em média, um cérebro masculino confronta-se a cada cinquenta e dois segundos com um pensamento de índole sexual, o que na mulher ocorre apenas uma vez por dia, ou talvez três ou quatro vezes, num dia de especial excitação.
O montar!
" (...) O macho de algumas espécies de aranhas e louva-a-deus é habitualmente devorado pela sua parceira momentos depois ou até durante a cópula. Este canibalismo envolve claramente o consentimento do macho, (...) não faz qualquer tentativa de escapar e poderá mesmo inclinar a cabeça e o tórax em direção à boca da fêmea, de modo a que esta possa mastigar grande parte do seu corpo enquanto o abdómen permanece intacto a fim de completar a tarefa (...) "
Porque Gostamos de Sexo
Jared Diamond
Gosto de te ter assim, de ser eu a foder-te! A escolher o momento certo, em que te monto, em que te faço deslizar para dentro de mim. Todo. Adaptar-me e ele chegar bem fundo. Baloiçar. Marcar eu o ritmo! Como me apetece! Como me dá mais prazer! Dizer-te para abrires e fletires as pernas, para ele bater lá! Encaixar-me assim. Ver-me ao espelho a foder-te. Arquear as costas e deixar-me ir com as tuas mãos na minha anca, no meu rabo. Apertar-te. Basta movimentar-me da maneira certa que eles chegam um atrás do outro, intensos, como sempre!
A linguagem
Porque será que a linguagem popular, ordinária, soa obscena mas ao mesmo tempo produz excitação sexual, enquanto que a linguagem médica, é exacta e permite indicar qualquer coisa sem provocar nenhuma emoção erótica? A linguagem obscena encontra-se carregada de emoções e evoca sensações, com frequências traz-nos memórias e cenários. Mas qual a razão do abismo entre as duas? Por norma, ou falamos uma ou falamos outra. Não as devemos misturar. Se misturamos os registos a única coisa que se consegue é um efeito cómico perdendo qualquer conotação erótica ou termo médico.
Eles!
"Aprendi que os mangalhos são muito diferentes nos homens: alguns dobram-se sedutores para a frente; outros dobram-se reticentes para trás; alguns assaltam o mundo; outros insinuam-se devagar, como espias. Alguns são rosados, outros vermelhos, outros amarelos, ou castanhos, ou pretos. Alguns têm veias como se fossem mapas lunares; outros são lisos como leitões rosados de maçapão; alguns gotejam antes de jorrar, outros recusam-se completamente a jorrar."
Pára-quedas e Beijos
Erica Jong
"The first drop is always the sweetest"
"(...) Mas ao vê-la deitada na banheira, a ensaboar-se, senti-me enfraquecer. tirei-lhe o sabonete da mão e lavei-lhe a pássara. Torceu-se toda de prazer, quando entrelacei os dedos ensaboados nos pelos.
-Creio que já acabou - disse, arqueando a pelve e abrindo a rata com as duas mãos. - Espreita ...vês alguma coisa?
Enfiei-lhe o dedo médio ensaboado da mão direita pelo buraco acima e massajei docemente. deitou-se para trás, com as mãos debaixo da nuca, e começou a sacudir, devagarinho, a pelve.
-Jesus, isso sabe bem! faz mais um bocadinho ... (...)
À medida que se excitava, ia-se movendo mais violentamente. De súbito, tirou as mãos da nuca e, com dedos húmidos, desabotoou-me a braguilha, tirou-me a moca para fora e, zumba!, boca com ela. Procedeu como uma profissional, provando-a, mordiscando-a, franzindo os lábios e acabando por se engasgar. Vim-me na sua boca e ela engoliu tudo, como se fosse néctar e ambrosia.
Depois deixou-se cair de novo para trás, na banheira, suspirou pesadamente e fechou os olhos (...)"
Sexus
Henry Miller
Sobre a paixão .....
" (...) Quase toda a gente conhece o sentimento de paixão (....) damos por nós ao volante do automóvel para lá do local do destino, permanecemos juntos ao telefone, ou pensamos no que vamos dizer - obcecados, impacientemente à espera do próximo encontro com "ele" ou com "ela". Depois, quando nos voltamos a encontrar, o menor gesto dele faz com que o coração deixe de bater. O sorriso dela entontece-nos (...). A paixão possui, um padrão de desenvolvimento característico, que começa com a "invasão do pensamento". Pensamentos que se ocupam do "objeto de amor", ou do ser amado, começam a invadir o nosso espírito. Uma determinada coisa que ele disse soa nos nossos ouvidos; vemo-la sorrir, recordamos um comentário, um momento especial, uma insinuação - e saboreamo-los. Pensamos naquilo que o nosso amor acharia do livro que estamos a ler, do filme que acabámos de ver (....) E a mais ínfima parcela de tempo que ambos passámos juntos adquire peso e torna-se pretexto para um rememoração"
Anatomia do Amor
Helen Fisher
Ando para partilhar convosco Helen Fisher faz tempo. Penso que este livro já nem se consegue encontrar. A sua leitura ajuda-nos a compreender muita coisa. A mim ajudou. Até hoje apenas me apaixonei três vezes. Uma das quais convergiu para amor.
Elvis Costello
L`amant
"(...) Ele disse que para ele era muito curioso que a história deles tivesse permanecido como era antes, que ainda a amava, que nunca poderia em toda a sua vida deixar de a amar. Que ia amá-la até à morte. Ele ouvia-a a chorar ao telefone. E depois continuou a ouvir chorar mais longe, do quarto dela sem dúvida, porque ela não desligou. E depois tentou continuar a ouvir. Ela já ali não estava. Tinha-se tornado invisível, inatingível. E ele chorou. muito alto. Com todas as suas forças."
O Amante da China do Norte
Marguerite Duras
O ritmo .....
"Tinham geralmente o mesmo ritmo. Ele pressentia o prazer dela, ela pressentia o dele. E ambos conseguiam, misteriosamente, reter o orgasmo até o outro estar pronto para ele. Começavam geralmente, num ritmo lento, que iam acelerando depois cada vez mais, à medida que sentiam o sangue aquecer e o prazer subir em ondas até à apoteose, que os dois viviam ao mesmo tempo, o pénis frequentemente libertando o seu sémen nas entranhas do ventre de Elena, que fremia como se tivesse mil línguas de fogo a queimá-la"
Delta de Vénus
Anaïs Nin
Feminina
(......)
Eu queria ser mulher para mexer nos meus seios
E aguçá-los ao espelho, antes de me deitar
Eu queria ser mulher para que me fossem bem estes enleios,
Que num homem, francamente, não se podem desculpar.
(.....)
Eu queria ser mulher para excitar quem me olhasse,
Eu queria ser mulher para me poder recusar .....
Mário de Sá - Carneiro (1916)
As Nádegas
"(..) Quando em posição normal de repouso, o seu traseiro é mais proeminente do que o correspondente masculino, independentemente do seu tamanho. Ao andar, a diferente estrutura da perna e da anca do esqueleto feminino produz uma maior ondulação na região das nádegas. Dizendo-o sem rodeios, a mulher sacode-se quando anda. (...)"
A Mulher NuaDesmond Morris
L`amant
"(...) Ela beija-o de olhos fechados. Pega nas mãos dele, agarra-as, encosta-as ao rosto. São as mãos da viagem. Segura-as e encosta-as ao corpo dela. E nessa altura ele mexe-se, abraça-a e rola suavemente para cima do corpo magro e virgem. E era enquanto lentamente ele cobria esse corpo com o corpo dele, sem o tocar ainda, que a câmara se afastava da cama, deslocando-se para a janela, ficava aí parada, nas persianas fechadas. Nessa altura ouvia-se o barulho da noite, abafado e longínquo na noite do quarto. E a voz do Chinês tornava-se tão próxima como as suas mãos.
Ele diz:
- Vou magoar-te.
Ela diz que sabe.
Ele diz também que às vezes as mulheres gritam. Que as Chinesas gritam. Mas que só magoa uma vez na vida, e para sempre.
Ele diz que gosta dela, que não lhe vai mentir: que daquela dor ela não vai esquecer-se nunca, que é verdade, jura-lhe.
Ele manda-a fechar os olhos.
Que vai fazer aquilo:possuí-la.
Ela que feche os olhos. Minha menina, diz ele.
Ela diz: não, de olhos fechados não.
Ela diz que tudo o resto sim, mas de olhos fechados não. (....)"
O Amante da China do Norte
Marguerite Duras


















