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O feminino e o masculino #3

As mulheres têm uma característica sexual que vem certamente do seu passado distante - a flexibilidade da sua sexualidade. A natureza, por vezes, é confusa e temos sempre a velha tendência ocidental de dividir o mundo em dois tipos de pessoas, os heterossexuais e os homossexuais. Acredito que estas duas categorias por vezes não são distintas, não havendo em absoluto uma necessidade de as categorizar de uma forma tão rígida. As mulheres possuem uma orientação sexual muito mais ampla e mais generalizada e em resultado disso, as mulheres têm uma maior tendência para a bissexualidade. Os homens por norma são mais convergentes. Podemos pensar e tentar ir lá atrás e argumentar que a flexibilidade sexual feminina pode ter surgido como um factor de adaptação. O homem para perpetuar a espécie precisa de cortejar mulheres (percurso mais rígido). Por seu lado, as mulheres precisavam de alguém que as ajudassem a criar os filhos. Basicamente as mulheres precisavam de um parceiro a longo prazo, quer fosse homem ou mulher. Os dois sexos não possuem, desta forma, padrões sexuais iguais. A sexualidade das mulheres está inserida num contexto mais vasto de sensações físicas e emocionais, sendo muito mais abrangente. Na realidade, o prazer sexual feminino está dirigido para uma maior variedade de parceiros, podendo estes serem homens ou mulheres.

O feminino e o masculino #2


" (....) as mulheres são menos entusiastas do que os homens quanto a participar numa escapadela de uma noite com alguém que seja casado ou esteja envolvido numa relação amorosa. Esse amante não só está indisponível, como os seus recursos estão direcionados para outra parte. E uma vez que ele está a enganar a sua parceira firme, é provável que também a ela fosse infiel. A maioria das mulheres também não depõe as armas por um caso amoroso breve. O que elas continuam a procurar é um parceiro saudável, estável, divertido, amável e generoso. Para as mulheres, o sexo casual nem sempre é tão casual como para os homens. 
Quando os homens procuram o amor passageiro, tendem a não dar importância à falta de inteligência de uma mulher. Também escolhem mulheres que sejam menos atléticas, menos educadas, menos feias, menos estáveis, que tenham menos humor, e que se enquadram numa faixa etária mais ampla. E ao contrário das mulheres, podem mesmo sentir-se atraídos por uma mulher que tenha fama de ser promiscua. Como Mãe West tão habilmente o expressou, "Os homens gostam de mulheres que tenham um passado, porque esperam que a história se repita" (...)"


Helen Fisher é uma das minhas autoras favoritas, já a partilhei aqui no início do Vício. Tem estudos interessantes sobre o sexo, a paixão e o amor, que "espalha" há mais de 20 anos pelos diversos livros que publica. Todo o trabalho de investigação dela está direcionado, principalmente nos últimos anos, para tentar perceber porque no meio de tantas pessoas que vamos conhecendo nos apaixonamos por aquela específica. Porque que é que uma pessoa inflama os nossos circuitos cerebrais primitivos enquanto outra perfeitamente adorável nos deixa totalmente indiferentes? Devido talvez à minha formação base, na área das ciências, acho que tudo tem que ter uma explicação perfeitamente racional pois só assim, para mim, faz sentido. Agradam-me ler estudos destes temas e confesso que muito coisa faz sentido para mim. O extrato que escolhi deve originar alguma polémica e por isso mesmo foi escolhido.

Um falso cu

Um zoólogo passa anos a estudar uma única espécie para tentar perceber o seu comportamento. Para um zoólogo, os seres humanos são macacos sem cauda e com cérebro volumoso. Somos apenas mais uma espécie, embora muito peculiar. Basicamente divergimos das restantes espécies em três aspectos fundamentais: a postura, o tamanho do cérebro e a sexualidade. A chave para a compreensão da sexualidade humana reside no reconhecimento de que se trata de um problema de evolução biológica. Algumas características sexuais podem ser mais vantajosas do ponto de vista da sobrevivência e da reprodução do que outras. Qualquer zoólogo sabe que as fêmeas de todos os outros primatas exibem os seus sinais sexuais para trás, a partir da região do traseiro, ao caminharem sobre as quatro patas. Os inchaços sexuais são estímulos-chave que excitam os machos. Para a mulher os sinais traseiros são as nádegas, mas estas só funcionam como poderosos sinais eróticos quando vistas de trás. A mulher não anda sobre as quatro patas, ela caminha erecta e em qualquer contexto social ela encara o homem frontalmente. Desta forma quando se encontra cara a cara com um homem, os seus sinais traseiros não são visíveis. Contudo a evolução de um par de nádegas fictícias no peito permite-lhe continuar a transmitir o sinal sexual primevo sem ter de virar as costas. De uma forma simplicista, as mamas não são mais do que um falso cu, transmitindo idênticos estímulos visuais e atraindo o homem (questiono-me sempre sobre o impacto do meu traseiro face às minhas mamas, pensando se a evolução me favoreceu. Sempre me foi dito que tinha bom traseiro, daqueles arrebitados .... nessas alturas acho que pode existir alguma desvantagem de caminhar de uma forma erecta ! ).

Poliandria

A poliandria é a união de uma só mulher a dois ou mais maridos em simultâneo. A poliandria é rara. Em algumas sociedades, como as dos Índios Tlingit do sul do Alasca, a poliandria existiu pois as mulheres eram muito ricas. As mulheres Tlingit comercializavam, fixavam preços, faziam negócios e recolhiam os lucros. Não era raro uma mulher rica ter dois maridos.
A poliandria existe, em determinadas zonas do Tibete, com o intuito de manter os bens na mesma família, evitando deste modo uma divisão de terras e aumentando o número de pessoas para cuidar destas e do gado. Por estas e outras razões, as famílias mais prósperas aliciam os filhos homens a partilharem a mesma esposa. Da perspetiva da mulher, isto é poliandria.
Para os homens, a poliandria pode significar o suicídio genético, ajuda o filho de uma mulher a sobreviver, mas não ajuda uma mulher a procriar mais do que um número limitado de filhos. Na realidade o homem que se junta a um harém de uma só mulher tem grande parte do seu esperma desperdiçado.

A imagem nem de perto nem de longe pretende ilustrar o texto, só me parece, na minha perspetiva a melhor forma de uma mulher aproveitar os seus dois maridos.
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