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From (Ela) with Love #3

Colhe-me do jardim, o beijo mais perfeito
Um bem-me-quer para eu colocar ao peito
Embaraça-me de vergonha, sem qualquer respeito
Um desassossego, já suspeito.

Trinca-me os lábios, ao teu trejeito
Suga-me a vida e o ar rarefeito
Prende-me a língua em teu proveito
Uma doce aflição, a preceito.

Inclina-me o rosto, eu não rejeito
Move-me o corpo, ao teu jeito
Deita-me sobre ti, no teu leito
Uma perdição a que me sujeito.

Beija-me toda, toda a eito
Lambe-me a torto e a direito
Solta-me o suco liquefeito
Pára só, em satisfeito.



From (Ela) with Love #2

Desaperta-me o botão que me tapa
Desata-me o laço que me aperta
Rouba-me a decência que camufla
O pedaço de pele que te cobiça

Beija-me nos olhos inflamados
Toca-me nos lábios hipnotizados
Rouba-me a inocência que conspurca
O meu corpo todo de injustiça

Consome-me a pele arrepiada
Deixa-me a morrer deliciada
Rouba-me a solidão que me cerceia
O cárcere de volúpia que te atiça

Suspira-me ao ouvido impropérios
Alimenta-me o ego de carinhos
Rouba-me a lucidez que me escasseia
No corpo e na alma inteiriça.

From (Ela) with Love #1

Tenho a demência de ti
Padeço dela no imaginário do que sou
Carrego nos ombros o peso do que senti
Quando do teu abraço a vida me privou
 Tenho a demência de ti
No corpo que sente o que se faz urgente
Da costela de onde me ergui
Que tão amiúde me mente
Tenho a demência de ti
Padeço dela na secura dos dias
Quando por mais que o que me sorri
Apenas me garante que já o sabias
Tenho a demência de ti
Enterrada no corpo desfeito
Do rasgar do desejo de que me vesti
E que não vejo jamais satisfeito
Tenho a demência de ti
Agarrada no gemer, no arfar, no respirar
Nos pulmões aflitos que não sucumbi
De te querer assim, sem sossegar.
 

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