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A Audrey!

"I know I have more sex appeal on the tip of my nose than many women in their entire bodies"     Audrey Hepburn

Recentemente esbarrei, literalmente, na Vanity Fair. Na capa estava a Audrey Hepburn e foi o suficiente para me decidir a comprar. Um dos seus filhos publicou recentemente um livro sobre a actriz e sobre os anos em que esta viveu em Roma. O livro contém inúmeras fotografias, algumas nunca editadas, que mostram uma Audrey totalmente imiscuída com Roma, passeando com os cães ou simplesmente às compras. Ao longo dos tempos Audrey Hepburn tem-se mantido como um símbolo eterno de bom gosto e sofisticação. Audrey encarna na perfeição a mulher segura mas ao mesmo tempo prática e simples, elegante e ao mesmo tempo deliciosa. Audrey consegue ser diferente das outras divas do seu tempo, conseguiu-se impor numa altura em que reinavam as loiras com corpos curvilíneos como a Marilyn Monroe. Não deixa de ser irónico que a Holly do Breakfast at Tiffany`s tinha sido inicialmente pensada, por Capote, para Marilyn. Com "uma boca que engolia o rosto", um sorriso rasgado, umas pernas compridas, uma cintura muito fina e um pescoço alto esguio Audrey transformou-se num verdadeiro ícone de moda e estilo. A sua elegância é atemporal, ela consegue-a usando umas simples sabrinas. Audrey personifica tudo que uma mulher pode ambicionar, elegância, postura e atitude. Ao longo da sua vida, Givenchy foi o seu etilista de eleição e os vestidos pretos adquiriram graças a ela uma outra grandeza.

Durante o fim de semana decidi rever Breakfast at Tiffany`s, confesso que pouco ou nada me lembrava do filme. Audrey consegue "encher" o ecrã tornado o filme absolutamente mágico. Esquecemos com facilidade o tema do filme e apenas nos centramos nela, absolutamente única.


"Moon River, wider than a mile
I`m crossing you in style some day.
oh, dream maker, you heart breaker
wherever you`re going I`m going your away."


Das relações ocasionais ...

Vi este filme há uns bons anos, na altura perturbou-me imenso. Temos sempre uma tendência, quase natural, de nos (re)vermos em partes das histórias de filmes, livros ou simplesmente posts partilhados. A história é simples, um homem, Jay, e uma mulher, Claire, encontram-se semanalmente todas as quartas-feiras à tarde com um único fim, o sexo. Há um ritual que se mantém todas as semanas, o despir, o foder, o vestir e o partir por parte de Claire. Não há palavras trocadas. Nada melhor poderia acontecer na vida de Jay. O filme, na altura, gerou alguma polémica pelas  cenas de sexo bastante reais. Jay é um pouco perturbado e é bastante desestruturado emocionalmente. No meio de tanto sexo, Jay apaixona-se por Claire. E como todos nós quando nos apaixonamos, quer mais e quer saber tudo sobre ela. O enredo desenrola-se e após alguns acontecimentos, eles voltam-se a encontrar, a tentar repetir o mesmo ritual. Na última cena quando finalmente estão face a face, tudo se alterou entre eles. Há intimidade. Há partilha. O sexo é agora diferente. Nada volta a ser igual.


Penso sempre se de uma relação ocasional, inteiramente e numa primeira fase baseada em sexo poderá surgir uma grande paixão. Tive uma que começou assim e se prolongou no tempo. Acho que foi por isso que o filme me perturbou tanto quando o vi. O que inicialmente era inteiramente físico e sexual foi-se transformando. Um "fode-me" acabou por se misturar com um "quero-te muito" e a paixão foi surgindo entre espasmos e gemidos

O coup de foudre

 Os franceses têm uma expressão que na minha opinião perde totalmente o significado quando traduzida, coup de foudre. A mesma expressão existe na língua italiana, colpo di fulmine, mas não em inglês e também não conheço expressão semelhante na língua portuguesa. O love at first sight indica já o fim do processo e quando o utilizamos já estamos enamorados ou apaixonados, se preferirem. O coup de foudre não torna a pessoa apaixonada apesar de quando nos apaixonamos ocorrer algures no processo de enamoramento uma repetição de vários coup de foudre. Um coup de foudre é uma fascinação súbita, é um arrebatamento, é um instante, é o ligar dos interruptores "no qual vemos e sentimos aquilo que dantes não víamos e não sentíamos".  
Hoje, lembrei-me do filme do Stanley Kubrick, o Eyes Wide Shut, em particular de uma das cenas. O diálogo é fabuloso, a forma enfática como ela transmite o desejo que sentiu é desconcertante. Alice conta ao marido que, um dia, viu no hotel em que se encontravam um oficial da marinha e ficou fascinada. Acrescenta que se ele lho tivesse pedido, ela  teria deixado o marido, a filha e tudo o resto. Alice teve um coup de foudre pelo o oficial. O marido, Bill, fica totalmente transtornado e tem uma reação totalmente desproporcionada. Apesar do coup de foudre, bastava a Alice presenciar uma situação menos agradável e este facilmente desaparecia. O coup de foudre é na sua essência um processo. Mas esta cena do filme de Kubrick não deixa de ser fabulosa com tudo o que ela implica.


The Postman Always Rings Twice ...

E por falar em sexo .... à bruta....

You know how to whistle don`t you?

"You know you don't have to act with me, Steve. You don't have to say anything, and you don't have to do anything. Not a thing. Oh, maybe just whistle. You know how to whistle, don't you, Steve? You just put your lips together and... blow."

 To Have and Have Not (Humphrey Bogart, Lauren Bacall, 1946)

Tenho  uma perdição por filmes e séries, mas em especial por filmes antigos, década de 40 a 60. Este fim de semana vi dois. Mas hoje lembrei-me do "To Have and Have Not". Esta cena entre Bacall e Bogart tem algo de mágico. Sedução pura. A forma, a segurança e a altivez como Bacall diz "You know how to whistle, don`t you?" é desarmante. Lauren Bacall interpreta uma mulher vivida que se expõe, permanentemente, perante o homem que ama. Penso que esta cena, a nível de sedução, nunca foi superada. Todo o filme transpira o amor verdadeiro que existiu entre os dois.

L`amant

"(...) Ele disse que para ele era muito curioso que a história deles tivesse permanecido como era antes, que ainda a amava, que nunca poderia em toda a sua vida deixar de a amar. Que ia amá-la  até à morte. Ele ouvia-a a chorar ao telefone. E depois continuou a ouvir chorar mais longe, do quarto dela sem dúvida, porque ela não desligou. E depois tentou continuar a ouvir. Ela já ali não estava. Tinha-se tornado invisível, inatingível. E ele chorou. muito alto. Com todas as suas forças."
                                                                  
                                                                      O Amante da China do Norte
                                                                               Marguerite Duras

In the mood for love ....


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