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EU PESSOA ME CONFESSO

Se o mar adormecer em desvario
As ondas não mais se formarem
Se as gaivotas se perderem do ninho
As árvores mais altas tombarem

Se o dia não encontrar a manhã
As nuvens deixarem de chorar água pura
Se as pedras da ilha roubarem a cor ao verde
As tuas palavras deixarem de ser raiva dura

Tantos “ses”
Tanta loucura encoberta em preconceito
Tanta lama vertem certas bocas
Tanta pequenês vestida de despeito

Isto hoje nada bate certo
Este poeta sem rima não passa de uma cabeça esperta
A poesia sem nostalgia é apenas palavra seca
Um número vezes dois às nem sempre é conta certa

Pois é, a metáfora pregou-me uma partida
Decidiu dar uma volta por achar que esta poesia era torta
Jamais terei vontade de me encontrar com a ternura
Na puta da vida nunca encontrei gente pura

Encontrei negromantes, máscaras e outras tontices
Gente ornamentada de tolices e outras mafarriquices
Gente contente por ter a alma cheia de vento
E um gajo enganado no rumo certo

Encontrei-me com aquilo que julguei ser o amor
Desencontrei-me na voragem da maldade
Juro que nunca marquei encontros com a estupidez
Juro pelas alminhas que perdi o rumo da saudade

Sem rumo mas com altivez e aprumo
Com uma caixinha minha e não de pandora
Onde guardo um pacto divino
Onde permanece apenas um sentimento que nunca foi embora

Que raio de lenga-lenga urdi para aqui
Ás vezes o que sou esqueço
Hoje deu-me para esta disparateira
Eu Pessoa me Confesso
 
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